terça-feira, 21 de abril de 2009

Tua Dor


Aproveite teu silêncio
Curta em paz tua dor
Sinta seu corpo tremer
Sinta seu corpo quebrar
O tempo trará tua sentença
E o remorso descontínuo
Transformado em areia

Irás perder-te em ti mesmo
Solidão fará em ti
Novo lar, nova casa
Perdeste tua fé, teus sonhos
Mergulhando num mar de cinzas

Ainda sim verás tu
Em tom de pele morta
A mão que outrora
Teu orgulho escarrara
Terás o perdão da alma
O perdão do suplício
E o suplício do perdão.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Marcha Funebre


fria tarde, escura tarde
a marcha segue seu caminho
vestes escuras,
feições mortas
chuvas pálidas
lágrimas secas
tu complestate o ciclo
perdi muitas batalhas
chorei rios de prata
mas tu foste embora
levou contigo todos
os meus medos
em teu jazigo
à minha imagem
teu esquecimento...
a melhor vingança
e o melhor perdão

domingo, 5 de abril de 2009

Lembro-me


Lembro-me que um dia ouvi
Que seria a resposta pra isso
Tu procuraste na minha alma
A resposta pra tudo isso
Como tu não podes ver?
Não posso ficar sozinho
O tempo passa tão rápido
Perdoe como tenho agido
As estrelas brilham
Na noite solitaria
Acreditei na reposta
Busquei amor
Onde estou agora?
Mesmo que as estrelas brilhem
Isso não vai durar eternamente
Tu não durará eternamente...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Algum Dia


Já estou na guerra há tempos
E ainda não sei por que
Vejo o céu em preto e cinza
Ele veio das mentiras
Penetrou meus olhos
Roubou meu sorriso

Em uma outra cena
Um outro amor quebrado
Vem rasgando as fronterias
Ele vem pra mim
Ele vem pra você

Algum dia ele te achará
Algum dia você vai chorar
Não tente escapar, é inútil
Ele veio pra mim
Ele virá pra você

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sombra no Passado


Noites em claro
Dias em cinza
Corpos em minha mente
Me responda
Porque eu morri aqui?
Nada além
De vaga memória
Eu sou apenas
Um alguém que
Tu ouviste falar
Ela não é um alguém
Que eu ouvi falar
Ela tem tudo e
Nunca está só
Ela veio até mim
Virou as costas e partiu
Ela é só alguém que amo
Uma sombra no passado
Uma pedra sobre as costas
Ela é só alguem que amo
Que me despreza, que ironia!
Mesmo assim eu me engano

sábado, 17 de janeiro de 2009

São luís do Mará


Me encontrei no teu olho d’água
Toquei teus cabelos de ponta d’areia
Dancei ao som do reggae a beira-mar
Praia grande, grande amor

São Luís francesa, portuguesa
São Luís, Atenas brasileira
De teus azulejos vem teu encanto
Dos teus casarões vem tua glória

Do negros, a luta, crioula, cacuriá
Dos poetas, Dias, Azevedos, Gullar
Dos índios, a terra, tupinambá
Do teu povo, a paixão, de matar

Se te deixar algum dia, São Luís
Não tardarei em vir te abraçar
Minha terra é o que há, sinhô
Minha terra, São Luís do Mará

domingo, 11 de janeiro de 2009

Metrópole pt1: O Amanhecer de uma Noite Sem Fim


O vento veio mais cedo
Nesta fria e escura manhã
Alguém sai de casa
Vai a padaria, sonolento
Hoje eu acordei sozinho
Olhei pela janela a metrópole
Suas veias de asfalto
Suas árvores de concreto
E a esperança de um dia bom
Entra sem pedir no meu quarto
Fazendo-me respirar novos ares
Saio de casa, sem rumo
Cigarro amigo me abraça
Levado às cinzas pelo vento
Moças bonitas passam por mim
Expelindo sorrisos falsos
Pais distraídos ensinam
Aos filhos as leis da metrópole
Vendedores de promessa
Tentam passar esperança
A quem já não pode esperar nada
De repente me vem um sorriso
Um olhar, uma palavra
De alguém que está comigo
Acho que estou amando
Talvez eu chore, talvez não
Um amor de ilusão
E as ruas agora inspiram festa
O carnaval em mim explode
Tudo ao som da metrópole
Vejo minha história passando
No abismo dos teus olhos
E a metrópole agora observa
A metrópole só observa...